Braga

Arquidiocese de Braga ordena diáconos de Barcelos e Famalicão este domingo

(c) Arquidiocese Braga
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Bruno Lopes, Rafael Gonçalves, Tiago Costa e Vítor Couto vão ser ordenados diáconos no domingo, dia 17 de Julho, às 15h30, na cripta do Santuário do Sameiro. Todos eles têm como objetivo o sacerdócio. Descubra, pelas palavras dos próprios, o porquê de seguirem este caminho.

Bruno Lopes

Calendário (São Julião) – Vila Nova de Famalicão

“A maior beleza do amanhã é quando ele se transforma em hoje. Ora, se é importante sonhá-lo, não é menos fundamental vivê-lo. É nesta certeza firme de querer viver este sonho que, diariamente, procuro não só sonhá-lo, mas sobretudo vivê-lo. O meu nome é Bruno Lopes, tenho 24 anos, nasci em Calendário, Vila Nova de Famalicão. Neste momento preparo-me para receber a Ordenação Diaconal.

No entanto, a minha vocação cresceu há uns anos atrás, em 2009, com apenas 12 anos decidi iniciar este sonho e entrei para o seminário menor de Braga para o 7º ano. Porém, esta caminhada começou um pouco antes, em casa e nas festas que reunimos as famílias, as conversas iam sempre ao encontro das memórias passadas, aliás como é habitual nas nossas famílias, quer queiramos quer não existe sempre um tio ou tia que quer lembrar aquela história de quando eramos pequenos, pois bem, na minha família a conversa ia sempre ter ao assunto do seminário, isto porque todos os meus tios, o meu pai e até o meu irmão andaram no seminário. Então muitas são as histórias que lá por casa se iam contando. Como muitos sabem sempre fui muito curioso e então quis saber o que era o seminário e deste interesse incompreensível surge uma paixão que até hoje arde.

No meio de tanta curiosidade surge um convite: ir conhecer o seminário menor em Braga. Mal sabia eu que este momento ia provocar uma grande volta a minha vida, pois essa visita mexeu comigo. Foi aí que percebi como Deus lança os seus convites e que devemos procurar responder a esse convite não desperdiçando nenhuma oportunidade. Se os primeiros tempos foram difíceis, ao ter de deixar família, casa, escola e amigos tudo para trás em busca de um sonho, que para muitos é incompreensível, hoje em cada dia que passa sinto uma plena felicidade em aqui estar. Sim porque a Igreja que eu quero servir é uma Igreja alegre e cheia de amor, onde só o amor existe e nesta conjugação perfeita entre o amor e a alegria aparece Deus e os seus intervenientes que já começaram ontem, que habitam no hoje e que tornam possível o amanhã.”

Rafael Gonçalves

Oliveira (Santa Eulália) – Barcelos

“Sou o Rafael Gonçalves, o mais velho de três irmãos, e sou natural da paróquia de Santa Eulália de Oliveira há vinte e cinco anos. Gosto de ler, de ver filmes e de estar em contacto com a natureza.

Desde novo, tive a felicidade de viver num meio propício ao encontro com Deus, tanto em casa, como na Paróquia, nomeadamente na catequese. E foi este ambiente que me proporcionou o começo deste caminho de descoberta. Na catequese, pediam-me frequentemente para acolitar e, nesses momentos, ao ver o exemplo do meu pároco, na altura o Pe. José Carvalho, tanto dentro da Igreja como na sua vivência pessoal, sentia uma grande admiração pelo seu estimulante exemplo de entrega e empatia.

Para o despontar deste caminho, contribuiu também uma atividade vocacional que se realizou na escola secundária que então frequentava e onde foram abordados temas como a rotina e as atividades desenvolvidas por aqueles que equacionavam vir a ser padres. Eu, que na altura nada sabia sobre os seminários, achei muito curioso tudo o que lá se fazia; no entanto, estava longe de alguma vez pensar em ingressar no seminário, pois tinha receio do que os meus colegas e familiares pudessem dizer. Depois de algumas semanas a refletir sobre o assunto, decidi partilhar com os meus pais o tema desse encontro e confessar-lhes que sentia uma certa curiosidade em frequentar os encontros de pré-seminário de que tinha ouvido falar. Eles apoiaram-me incondicionalmente e, depois de falarmos com o pároco, inscrevi-me no pré-seminário. Após alguns encontros do pré-seminário, ao longo de aproximadamente um ano, conheci alguns colegas que, afinal, experimentavam as mesmas inquietações e dúvidas que eu sentia. Assim, movido pela confiança dos que me acompanhavam, tomei a decisão de entrar no Seminário Menor.

Desde então, esta comunidade tem sido uma segunda família, e o que até então era desconhecido, foi-se, aos poucos, manifestando. É um caminho cheio de incertezas, de resistências e muitos medos, mas também repleto de alegrias e riquezas, típico de quem vive em comunidade no amor de Cristo. Acima de tudo, para continuarmos esta caminhada, devemos entregar-nos à lógica da confiança, e não apenas a um excesso da razão.”

Tiago Costa

Ribeirão (São Mamede) – Vila Nova de Famalicão

“Sou o Tiago Costa, natural de Ribeirão. Criado numa família humilde com fortes ligações ao meio rural, sou o irmão mais velho de duas irmãs. A educação cristã sempre me foi incutida pelos meus pais, que incansavelmente tentaram dar a melhor educação aos seus filhos.

Na minha pequenez sempre me caracterizavam por ser tímido no falar, inseguro no agir e qualquer situação mais incómoda me amedrontava. Não queria arriscar e limitava-me a seguir o caminho mais fácil.

Aos nove anos entrei para o grupo de acólitos a convite dos meus pais. Sendo eu bastante tímido, fiquei muito reticente em relação ao convite lançado. Surpreendentemente, com o passar dos tempos surgiu a confiança e a desinibição. Os tempos mudaram, mas a vontade continuou a mesma, um despertar surgia, mas insistentemente ocultava-o. Participava, também, ativamente na catequese.

A atenção do meu pároco foi essencial para o despontar de um chamamento que tentava camuflar. Surge o convite, por parte dele, em frequentar o pré-seminário. Esta ideia não me agradou porque a tentação era sempre a mesma, fugir e, sobretudo, fugir a Deus. Apesar de tudo, não muito convencido, fui ao dito encontro. O primeiro contacto com o seminário teve grande impacto, uma mistura de sensações apoderou-se do meu coração, foi o caos total porque não estava à espera de uma casa tão aberta, alegre e viva.

A ideia predefinida que retinha do seminário foi totalmente abalada. Como tal, comecei a frequentar regularmente o pré-seminário. Depois de dois anos de pré-seminário, decidi entrar no 10º ano, para o seminário Nossa Senhora da Conceição.

Passados dez anos e já com vinte e cinco anos, encontro-me a dias de ser ordenado diácono. Sinto que a ideia que tinha de ser padre é, hoje, um desejo, e compreendo que esse é, também, o desejo de Deus. É nesta mútua comunhão de desejos, entre o meu desejo e o desejo de Deus, que quero caminhar alegremente.

Partindo muito da minha história de vida, sinto que o principal obstáculo ao longo desta caminhada foi o medo, sobretudo, medo de arriscar. Creio que não haverá coisa pior na vida do que vivê-la com remorsos de poder ter escolhido outro caminho e não o ter feito por medo. Como o pássaro que tem asas e morre sem nunca ter tentado voar, sem nunca ter exercido aquilo que o caracteriza. Para mim, viver é transpor o medo, é arriscar mesmo que o caminho seja outro, viver tem tanto de belo como de risco.”

Vítor Couto

Ribeirão (São Mamede) – Vila Nova de Famalicão

Video

“Sou o Vítor Couto, natural da paróquia São Mamede de Ribeirão, arciprestado de Vila Nova de Famalicão, arquidiocese de Braga, e tenho 33 anos.

O meu chamamento vocacional começou quando, ainda muito novo, fui interpelado pelo meu pai para ser padre. Sempre rejeitei esta ideia porque não a considerava uma prioridade para a minha vida. Hoje, fazendo uma retrospetiva da minha vida, sei que, no fundo, sempre houve em mim o desejo de, um dia, vir a ser padre alguma vez. Frequentei o curso de Engenharia Química no Instituto Superior de Engenharia do Porto e trabalhei em algumas empresas, contudo, nunca me senti plenamente realizado e completo. Procurei “escutar” a voz interior de Deus que me inquietava entre os ruídos e as brumas quotidianas, que se fazia trémula na minha vida ainda por alicerçar-se num profundo e fecundo amor transcendental. Neste caminho de discernimento, o meu pároco teve um papel determinante. Foi ele a pedra basilar que suportou esta minha decisão, ao encaminhar-me para os encontros vocacionais do pré-seminário adulto, que ocorriam mensalmente. Passo a passo, o que se afigurava extremamente complexo para o meu entendimento, foi tornando-se, gradativamente, mais simples e fácil para chegar ao amor de Deus. O pré-discernimento encontrava-se amadurecido, mas ainda restava a incerteza da decisão: deveria ou não aceitar o desafio que me foi proposto e aceitar pelo menos um ano de experiência vocacional no seminário? Depois de muito refletir, e ainda com bastantes dúvidas, aceitei o desafio. Nos primeiros anos de seminário, as incertezas e os medos foram muitos, mas, por muitas razões (algumas delas desconhecidas pelo meu coração e, principalmente, pela minha compreensão racional) mantive-me firme na minha decisão, sempre alicerçada no Senhor, e a possibilidade de desistir nunca por mim foi equacionada. Agora, transformado pela gratidão e pela imaterialidade, sei que nada disto teria sido humanamente possível sem a presença do rumor de Deus.”

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