Ambiente

Cobra-rateira ‘sai da toca’ com o calor e é avistada por todo o Minho

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O calor ‘tira das tocas’ as cobras e no Norte com os incêndios e calor são cada vez mais avistadas cobras em várias localidades do Minho.

A cobra-rateira (Malpolon monspessulanus) é a maior serpente da fauna ibérica, ultrapassando os dois metros de comprimento. Possui uma cabeça estreita, sulcada no dorso e lateralmente e tem olhos grandes e escamas lisas. Possui uma cor castanha-esverdeada com uma grande mancha escura no terço anterior do tronco.

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A cobra-rateira é uma serpente robusta, ágil e que pode ser agressiva quando provocada, bufando e podendo morder fortemente. Ao contrário da maioria das serpentes da fauna portuguesa, a cobra-rateira produz um veneno neurotóxico, com o qual paralisa as suas presas. De destacar que a cobra-rateira é opistoglifa, ou seja, tem os dentes inoculadores de veneno localizados na parte posterior das maxilas, não conseguindo injetar o veneno no homem em caso de mordedura, salvo raríssimas exceções, não sendo por isso considerada perigosa.

As presas da cobra-rateira são essencialmente mamíferos como ratos e coelhos, outras serpentes e lagartos e pequenas aves.

A cobra-rateira possui hábitos diurnos e ocorre numa grande variedade de ambientes, desde bosques, matagais mediterrânicos, estepes e campos cerealíferos. Encontra-se por toda a orla mediterrânica com exceção da península Itálica, e para Oriente atinge o Irão. Ocupa toda a Península Ibérica, exceto uma estreita faixa Setentrional, e em Portugal distribui-se amplamente por todo o território, sendo escassa ou mesmo ausente nas zonas de menor altitude da faixa costeira de influência atlântica, entre Leiria e o Porto. Em altitude distribui-se desde o nível do mar até aos 1520 metros na Serra da Estrela distribuindo-se por todo o Parque Natural, onde prefere locais com densa cobertura arbustiva e grandes rochas, que utiliza como refúgio, encontrando-se também, nos silvados, nos taludes de caminhos, bosques abertos e giestais.

Relativamente à conservação desta espécie de serpente, a cobra-rateira está classificada como Pouco preocupante (LC), pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, e apesar de muitos exemplares acabarem por morrer atropelados e serem mortos deliberadamente pelo homem, as suas populações podem considerar-se estáveis na maior parte do país.

De destacar ainda que a maior parte das serpentes da fauna ibérica, com exceção das víboras, são áglifas, que significa que os dentes são maciços e não possuem glândulas produtoras de veneno, sendo portanto consideradas como não venenosas e não constituindo nenhum perigo para o homem.

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