Braga

Revelamos novos dados acerca do homicídio no Bairro do Fujacal

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À medida que se aproxima o início do julgamento do homicídio no Bairro do Fujacal, o mais recente assassínio cometido na cidade de Braga, com o envolvimento de ambos os lados de jovens de Amares, que jogaram futebol em Vila Verde, mas depois de um processo por tráfico de droga de menor gravidade se desentenderam, vão sendo conhecidos novos dados, a começar pelo arrependimento do principal arguido, Luís Teixeira (“Max”), afirmando, na Polícia Judiciária, que se pudesse agora, morreria no lugar daquele que o próprio matou e que era seu amigo de infância, Carlos Galiano, enquanto a juíza de instrução criminal de Vila Verde, Alda Faustino, ao confirmar a prisão do cúmplice do crime, Diogo Azevedo (“Esticado”), após a extradição desde França, admitiu que este jovem possa ficar entretanto em alternativa à prisão preventiva, com a obrigação de permanência na habitação (vulgo prisão domiciliária), em Braga, controlado por pulseira eletrónica, ao mesmo tempo que os pais da vítima solicitam, separadamente, o total de 245 mil euros de indemnização, por danos morais sofridos com a morte violenta do filho.

O homicídio no Bairro do Fujacal, em Braga, que o Semanário V tem vindo a reportar desde o início, foi cometido na madrugada de 4 para 5 de outubro de 2021, à porta do Café Airosa, precisamente no mesmo local onde Carlos Galiano, disse ter comprado duas vezes “ganza” (a expressão foi sua) a Luís Teixeira (“Max”), quando prestou declarações ao Ministério Público, em 17 de setembro de 2019, este o motivo que terá levado depois “Max” a considerar-se “chibado” e a querer vingar-se de Carlos Galiano, desferindo-lhe dois tiros fatais, à queima-roupa, pouco tempo após a vítima agredir o cúmplice do crime, Diogo Azevedo (“Esticado”).

“Max” afirma-se arrependido de ter assassinado a tiro o seu amigo Galiano © Semanário V

Mas tudo indica que “Max”, alegadamente instigado por “Esticado”, para tirar satisfações junto de Carlos Galiano, para além de fazer um “acerto de contas” pelo julgamento em Braga, que afinal redundou em meras penas suspensas a todos os arguidos, por tráfico de droga sim, mas de menor gravidade, em que “Max” nem sequer esteve sujeito a prisão preventiva, estaria o desgosto deste último pela zanga com o seu amigo de infância, Carlos Galiano, daí que antes de ter disparado, fatalmente, para a zona do abdómen de Galiano, “Max” afirmasse o seguinte: “só falas para eles, só falas para eles”, revelando incómodo por andarem zangados.

Luís Miguel Fernandes Teixeira (“Max”), de 25 anos, natural de Bouro Santa Maria, em Amares, mas que residia com a mãe em Braga, que se entregou à PSP de Braga, poucas horas depois do crime, referiu na Brigada de Homicídios da Polícia Judiciária de Braga ter disparado por supostamente se assustar com um vulto, o de Carlos Galiano, porque “a intenção nunca foi causar mal”, mas “só e apenas” a sua “própria insegurança”, justificando “com o clima que se vivia em Braga”, caraterizado pelo uso constante de armas de fogo para dirimir conflitos, dizendo, “o problema foi ter uma arma e a incapacidade de antecipar tudo o que ocorreu”.

Segundo a posição depois assumida por “Max”, através da sua advogada, “tinha uma arma na mão, não a devia ter usado, esteva escuro, atirou à figura que nesse momento lhe pareceu ameaçadora”, sendo “esta a verdade, a sua verdade”, ainda de acordo com a mesma causídica, referindo-se ao facto de haver dois disparos, ao mesmo tempo que considerou ser este “um acumular das desavenças entre jovens instáveis e que em tempos partilharam uma estima que já não mais existia”, sendo que a zanga entre os dois amigos desde longa data “causava grande dor” a Luís Teixeira, o que poderá ter contribuído igualmente para o seu ato de disparar.

A agravar os diferendos estaria o facto de Carlos Galiano e Luís Miguel (“Max”) serem ambos arguidos, num outro processo, a decorrer já no Tribunal de Amares, em que terão agredido um homem, tendo o respetivo julgamento sido suspenso devido a um acordo para indemnizar a vítima, mas afinal o caso iria ser sujeito ao julgamento, uma vez que, ainda segundo a versão de “Max”, este reuniu os 500 euros para que o agredido desistisse da queixa, enquanto Carlos Galiano não teria juntado a verba que lhe coubera na proposta de acordo, que até era metade, isto é, 250 euros, situação que também terá desagradado muito a Luís Miguel (“Max”).

“Max” está detido no Estabelecimento Prisional de Custóias, em Matosinhos, para evitar as eventuais represálias de outros reclusos, na Cadeia Regional de Braga, tendo requerido a instrução (fase facultativa entre a acusação e o julgamento), tentando que a imputação do crime de homicídio qualificado baixasse para simples, o que foi rejeitado liminarmente pelo juiz de instrução criminal de Braga, por não esse o momento processual para apenas e só alterar a qualificação jurídica que impende sobre “Max”, também acusado pela posse da arma de fogo proibida, sendo o julgamento a fase indicada para tal, conforme o Código de Processo Penal.
Juíza de Vila Verde admite prisão domiciliária

A juíza de instrução criminal de Vila Verde, Alda Faustino, em funções de turno à Comarca de Braga, foi quem interrogou o outro arguido, Diogo Miguel Veloso Gomes Azevedo, de 24 anos, solteiro, conhecido pela alcunha de “Esticado”, com a profissão de ferrageiro, que tinha sido extraditado poucos dias antes de França, onde através de um mandado de detenção europeu foi detido quando deambulava pela cidade Limoges, tendo a magistrada do Ministério Público pedido que fique em prisão preventiva, a aguardar pelo julgamento, enquanto a advogada do arguido solicitou a prisão domiciliária vigiada através de controlo eletrónico à distância.

Após Diogo Azevedo (“Esticado”) prestar declarações, no Palácio da Justiça de Vila Verde, a juíza de instrução criminal determinou para já a prisão preventiva, no Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa, em Paços de Ferreira, mas admitindo que entretanto possa ficar, em alternativa, em prisão domiciliária, dentro da mesma casa em que já residia com os pais, em Braga, até ao início do julgamento, que ainda não tendo data marcada para o seu início, por estarem ainda a decorrer prazos legais em defesa de Diogo Azevedo, sabe-se já que será nos primeiro dias depois das férias judiciais de verão, por ambos estarem presos preventivamente.

Principal arguido reconstitui o crime

O principal arguido do processo, Luís Miguel (“Max”), aquando da sua entrega à PSP, que por sua vez o encaminhou para a Polícia Judiciária, reconstituiu todo o crime, com a Brigada de Homicídios da PJ de Braga, explicando a forma como disparou contra Carlos Galiano, com ambos os tiros disparados à queima-roupa, referindo ter atirado a arma do crime, uma pistola de calibre 6.35 milímetros, para o rio Este, mais dizendo ter sido surpreendido pela silhueta de Carlos Galiano, versão que não colheu na investigação criminal da PJ, nem na acusação proferida pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Ministério Público.

Na perspetiva da acusação pública, tudo terá começado quando jantavam num restaurante da Alameda do Fujacal, ocasião em que Diogo Azevedo (”Esticado”), terá por diversas vezes referido durante a refeição que Carlos Galiano era um “bufo” (a expressão que lhe é atribuída pelo MP), pelo que este último terá saído do estabelecimento comercial, alegadamente tendo dado um soco a “Esticado”, que por sua vez saiu das imediações, anunciando em tom sério que iria buscar uma arma, mas poucas horas decorridas quem apareceu com uma pistola em riste foi Luís Miguel (“Max”), acompanhado de “Esticado”, tendo sido cometido o crime.

Fugiram ambos em passo de corrida, ironicamente a poucas dezenas de metros das instalações da Polícia Judiciária de Braga, enquanto a vítima agonizava, junto de amigos, dizendo-lhes que “estou a morrer, estou a morrer, levem-me ao hospital”, acabando por ficar inconsciente, ocasião em que as testemunhas do homicídio o colocaram dentro do carro para o conduzir ao Serviço de Urgência do Hospital Central de Braga, mas acabaram por o amparar, dentro do veículo, não saindo afinal desse local, a conselho do próprio operador do INEM, com o qual contactaram através do número nacional de emergência 112, que proporcionou o socorro.

Carlos Galiano acabaria por falecer dois dias depois, por coincidência instantes antes de “Max” ser conduzido à presença do juiz de instrução criminal de Braga, a ponto de o auto de notícia criminal da Polícia Judiciária de Braga ter de ser alterado de tentativa de homicídio para homicídio consumado, estando agora sujeito, tal como Diogo Azevedo (“Esticado”), a uma pena cuja moldura penal abstrata será de 12 a 25 anos de prisão, caso durante o julgamento se provem os factos nos termos em que são ambos acusados, embora os seus advogados tenham uma posição bem diferente, como foi comunicado pela defensora de Luís Miguel (“Max”).

Pais pedem indemnização total de 245 mil euros

Os pais da vítima, João Carlos da Silva Oliveira e Ivete Patrícia Martins Velasco Galiano, ele a residir em Amares e ela a morar em Lisboa, constituíram-se como assistentes no processo, tendo pedido, respetivamente, 123 e 122 mil euros, perfazendo um total de 245 mil euros, com base no sofrimento de ambos pela perda de um filho, alegando não só o sofrimento da infeliz vítima, como o dos próprios pais e outros familiares mais diretos de Carlos Alexandre Galiano Oliveira, de 24 anos, lojista em Braga e tinha jogado futebol em Lago, Vilaverdense, Amares, Ponte da Barca, Bairro da Misericórdia, São Mamede de Este e Terras de Bouro.

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