Saúde

Marta Temido, a gestora da Saúde que passou a ser um dos “rostos” da pandemia

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Marta Temido, que se demitiu esta madrugada do cargo de ministra da Saúde, tem uma carreira profissional ligada à gestão no setor, mas foi o combate à pandemia que lhe garantiu notoriedade nos últimos anos.

A ministra da Saúde tem atravessado, sobretudo deste que tomou posse há cinco meses, várias polémicas. Recentemente, o encerramento de serviços de urgência de obstetrícia em vários hospitais por falta de médicos para preencher as escalas tem sido motivo de grande crítica, bem como os casos de problemas graves no transporte de grávidas.

O ministério discutia agora com os sindicatos dos médicos as remunerações dos clínicos em serviço de urgência.

Reconduzida no cargo em março passado aquando da posse do novo executivo, a ministra da Saúde entrou para o Governo em outubro de 2018, após a saída de Adalberto Campos Fernandes.

Um ano depois – em outubro de 2019 -, Marta Alexandra Fartura Braga Temido de Almeida Simões mereceu novamente a confiança de António Costa e, poucos meses depois, passou a ser um dos “rostos” mais conhecidos dos portugueses devido à pandemia da covid-19, que chegou a Portugal no início de 2020.

Desde então, o combate à covid-19 passou a dominar a atuação do ministério de Marta Temido, natural de Coimbra, onde nasceu em 1974, com várias organizações do setor, como as ordens profissionais e os sindicatos, a criticarem a crónica falta de meios do Serviço Nacional de Saúde (SNS) evidenciada com a pandemia, que atingiu o `pico´ de internamentos e mortes no início de 2021.

Dividindo o protagonismo com a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e com o ex-coordenador da `task force´ da vacinação, Gouveia e Melo, a ministra da Saúde garantiu sempre que o SNS tem sido alvo de um reforço de financiamento, mas também de profissionais de saúde.

Para além da pandemia, a governação de Marta Temido ficou marcada pela aprovação em Conselho de Ministros, em outubro de 2021, do novo Estatuto do SNS, conforme previsto na Lei de Bases da Saúde publicada em 2019, e que, segundo o Governo, vem clarificar o papel e a relação entre os vários atores do sistema de saúde.

Este novo Estatuto prevê a criação de uma direção executiva para a gestão do SNS, uma área que não é desconhecida para a ministra da Saúde, que é doutorada em Saúde Internacional, mestre em Gestão e Economia da Saúde e licenciada em Direito.

Ao longo da sua carreira profissional, Marta Temido, que possui também uma especialização em Administração Hospitalar, desempenhou diversos cargos de direção em entidades do setor.

Antes de assumir funções governativas, foi subdiretora do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, presidente do conselho diretivo da Administração Central do Sistema de Saúde, presidente não executiva da administração do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa e membro da administração de vários hospitais públicos.

Foi ainda presidente da direção da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.

Mas a visibilidade pública de Marta Temida estendeu-se, recentemente, à atividade partidária, com a sua filiação no Partido Socialista, chegando mesmo a receber o cartão de militante das mãos de António Costa no congresso que se realizou em agosto de 2021 em Portimão, título que considerou ser “uma honra” e também “uma responsabilidade”.

Nas eleições de 30 de janeiro, Marta Temido foi eleita deputada à Assembleia da República por Coimbra, distrito por onde foi cabeça de lista do PS.

Entre os desafios imediatos, o ministério tem de dar resposta à recuperação da atividade assistencial aos utentes prejudicada pela pandemia da covid-19 e materializar os cerca de 1,3 mil milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) destinados a reforçar o SNS em várias áreas.

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