Braga

Rufo vítima de chantagem antes do escândalo

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Luís Rufo terá sido vítima de chantagem logo que começaram a correr em meios restritos suspeitas de ser falso advogado, antes de conhecida publicamente a situação escandalosa envolvendo o antigo provedor da Irmandade de Santa Cruz, em Braga, que era uma personalidade muito próxima do anterior arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, D. Jorge Ortiga, além de gente da alta finança do Minho, aparecendo ao lado de Sua Alteza Real, D. Duarte, pretendente a Rei de Portugal.

Segundo investigações do Semanário V, inicialmente, Luís Rufo teria cedido às abordagens chantagistas, inclusivamente pagando para não ser alvo de denúncias junto das autoridades, como o Ministério Público e a Ordem dos Advogados, só que as pressões exigindo-lhe mais e mais dinheiro não paravam, levando o alegadamente falso causídico a conformar-se e preparando-se para o embate público e jurídico, sabendo-se que o escândalo estava para rebentar dentro de poucos dias.

Defendido por Artur Marques, que também foi há 30 anos o seu patrono no estágio de advocacia, Luís Rufo está agora a preparar o contra-ataque, pois como sucede no futebol, a melhor defesa é o ataque, sabendo-se que o dito falso advogado foi-se preparando ao longo de três décadas para a eventualidade de ser descoberto, dispondo de trunfos comprometedores, especialmente para quem nos últimos tempos o terá chantageado e extorquido dinheiro, que será pessoa das suas relações.

Na base do argumentação que aponta para o falso título académico de Luís Rufo, estará o método engenhoso de tendo a dada ocasião obtido onze valores na disciplina de História do Direito, pela Universidade de Coimbra, terá falsificado as demais cadeiras do curso de licenciatura, ao transferir-se para a Universidade Portucalense Infante D. Henrique, no Porto, após uma passagem meteórica pela Universidade Livre, também na cidade invicta,  a instituição que entretanto encerrou.

A serem confirmadas judicialmente tais suspeitas, o crime de falsificação de documentos em relação aos certificados que eram validados como sendo verdadeiros, por parte um notário de Ponte da Barca, já prescreveu há mais de duas décadas, logo Luís Rufo não poderá nunca responder por esse crime, mas mantém-se o crime de usurpação de funções, consistindo nos atos em que interveio como sendo advogado, não só em processos judiciais, como em atos notariais e em escrituras.

Luís Rufo com Sua Alteza Real, D. Duarte, e D. Jorge Ortiga © DR

Férias na Turquia retemperam forças

Entretanto, Luís Rufo, que está separado judicialmente, há mais de 20 anos, esteve durante grande parte do mês de agosto de férias, na Turquia, para retemperar forças, tendo em vista os desafios que se aproximam, uma vez que quer o Ministério Público, quer a Ordem dos Advogados, no primeiro caso muito provavelmente já com a colaboração da Polícia Judiciária, vão apertar-lhe o cerco, principalmente a partir de agora, não só mas também por terminarem as férias judiciais de Verão.

Luís Rufo tem sido pouco visto, em Braga, mas o Semanário V sabe que geralmente fora de horas, tem-se deslocado para Viana do Castelo, onde tem a sua segunda vivenda de luxo, não como o “bunker” onde reside, na Encosta do Bom Jesus, em Braga, onde continua a privar com as irmãs, bem como alguns amigos de infância, na freguesia da Areosa, em Viana do Castelo, onde Luís Rufo, nas últimas eleições autárquicas, foi o mandatário da lista do PS para aquela autarquia local.

Segundo apuramos, Luís Rufo, que entregou a sua cédula profissional ao Conselho Geral da Ordem dos Advogados, em Lisboa, suspendendo-se ele próprio da sua atividade, na sequência da publicação do escândalo da alegada falsificação de notas para o curso de licenciatura em Direito, assim conseguindo ser advogado, mantém parte das suas rotinas em Braga.

Luís Rufo, com uma forte costela monárquica, deixou de aparecer publicamente desde que caiu em desgraça, mas ainda há poucos surgia ao lado não só do então arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, como igualmente do pretendente ao trono do Reino de Portugal, D. Duarte, privando com Sua Alteza Real, em jantares de beneficência, além de outras cerimónias.

É que Luís Rufo, com origens muito humildes, descendente de uma família numerosa, na Areosa, em Viana do Castelo, onde nasceu há 67 anos, foi sempre muito amigos dos pobres e dos sem-abrigo, continuando a pagar, escrupulosamente, refeições a algumas pessoas mais necessitadas, que costumam deambular perto do seu antigo escritório, em Santa Tecla.

Para além de ter sido provedor da Irmandade de Santa Cruz, em Braga, durante oito anos consecutivos, Luís Rufo nunca deixou de desenvolver forte atividade associativa, como cancelário-mor e presidente da Concelhia de Braga da Confraria do Vinho Verde, tendo sido investido em Braga “cavaleiro” da Ordem dos Templários, que nada tem a ver com a original.

Primeiro julgamento já em setembro

O primeiro grande embate judicial de Luís Rufo é o seu julgamento cujo início está já marcado para setembro, no Palácio da Justiça de Braga, relacionado com a sua passagem como provedor pela Irmandade de Santa Cruz, respondendo pela acusação de burla tributária agravada, cometida contra a Segurança Social de Braga, num montante de mais de 52 mil euros, a par da sua diretora técnica, Liliana Cerqueira, do seu antecessor, Carlos Vilaça, e da própria instituição secular.

Neste processo está em causa o alegado recebimento indevido de comparticipações sociais, por um casal sem dificuldades financeiras, que nunca esteve internado no lar, continuando a residir em Arco de Baúlhe, no concelho de Cabeceiras de Basto, mas a Irmandade de Santa Cruz é acusada, quer a instituição, quer os três referidos responsáveis, por ter recebido 52 mil euros, mas indevidamente, a título de comparticipações sociais, por parte do Centro Distrital da Segurança Social.

Tudo porque o contrato, celebrado em 2010, entre a Segurança Social de Braga e a Irmandade de Santa Cruz, obrigava a dar prioridade aos idosos economicamente mais desfavorecidos, o que não era o caso do casal de Cabeceiras de Basto, que nem residia no lar, muito menos tinha quaisquer problemas financeiros, mas tão somente pretendia ter um quarto, só que sem ser em hotel, sempre que precisava de deslocar-se de Arco de Baúlhe até Braga, mais para tratamentos de saúde.

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