Saúde

Diretor do SNS diz que os pobres não podem ter mais doença ou morrer mais cedo

(c) LUSA
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O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Fernando Araújo, defendeu hoje a necessidade de conferir “mais equidade” ao SNS, para que ser pobre deixe de significar ter mais doença e morrer mais cedo.

Numa mensagem vídeo transmitida no 25.º Congresso Nacional da Ordem dos Médicos, que decorre em Braga, Fernando Araújo disse ainda que é necessário um SNS “mais inclusivo e mais justo”, que dedique particular atenção aos mais vulneráveis.

“Queremos um SNS com mais equidade, não apenas do ponto de vista geográfico, género ou idade, mas também da condição económica. Os mais pobres continuam a ter mais doença e a morrer mais cedo, um quadro que se agravou com a covid-19”, referiu.

Para Fernando Araújo, que iniciou funções em 02 de novembro, é preciso fazer com que os portugueses voltem a acreditar no SNS.

“E isso não se faz quando os obrigamos a ir às 05:00 da manhã para o centro de saúde para conseguir marcar uma consulta com o seu médico ou quando estão três anos à espera de uma cirurgia no hospital”, afirmou.

Fernando Araújo defendeu também um SNS mais desburocratizado, que deixe os médicos tratar dos problemas de saúde dos utentes em vez de, como diz acontecer atualmente, os transformar em “autênticos secretários”.

“Gostaria que o SNS do século XXI fosse das pessoas”, disse ainda, admitindo que atualmente é um serviço “difícil de contactar e de obter informação”.

Para Fernando Araújo, o SNS “não está a responder” nem aos utentes nem aos profissionais.

O diretor executivo do SNS defendeu ainda que o SNS tem de ser capaz de “captar o talento dos recursos humanos” e evitar o abandono dos quadros mais qualificados, através de vencimentos adequados, conciliação da vida profissional com a familiar, estabilidade, progressão na carreira, formação e equipas “equilibradas” em número e recursos tecnológicos.

Admitiu que há entre os profissionais “um quadro genérico de desmotivação”, que se traduz numa taxa de absentismo de 15 a 20 por cento.

“Temos de conseguir que voltem a acreditar no SNS”, defendeu.

Paralelamente, sublinhou ser necessário apostar na “escolha criteriosa” dos gestores públicos, escolhendo “os mais competentes, de forma transparente”, e “despolitizando esta que é uma das áreas mais críticas do SNS.

“As lideranças são fundamentais na mudança de paradigma. Precisamos de profissionais competentes que possam fazer a diferença”, vincou.

Para Fernando Araújo, é preciso “mostrar aos portugueses que o valor que colocam com os seus impostos no SNS é traduzido depois em resultados na saúde”.

Entre esses resultados, quer ver incluída a disponibilização de cuidados de saúde oral, mental e paliativos “a todos quantos deles precisam”.

“Queremos um SNS em que o cidadão verdadeiramente possa confiar”, rematou.

A direção executiva do SNS, prevista no novo Estatuto do SNS promulgado pelo Presidente da República no início de agosto, tem como missão coordenar toda a resposta assistencial do SNS, assegurando o seu funcionamento em rede, e passa a gerir também a rede nacional de cuidados continuados integrados e a rede de cuidados paliativos, até agora da responsabilidade das administrações regionais de saúde.

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