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Já são conhecidos os vencedores da Mostra Nacional de Jovens Criadores

© Jenniffer Lima Pais/Gerador
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Os 15 vencedores da edição de 2022 da Mostra Nacional de Jovens Criadores (MNJC) foram revelados este sábado, dia 3 de dezembro, numa gala que teve lugar no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada. Esta iniciativa do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ) contou com as presenças do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Correia, da Presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, e da Vice-Presidente do IPDJ, Selene Martinho.

Numa cerimónia conduzida por Beatriz Tavares, apresentadora do programa da RTP2 “Scroll”, os galardoados subiram ao palco para receber um prémio no valor de 1.000 euros. Terão também direito a uma entrevista publicada na plataforma do Gerador, 50% de desconto num curso à escolha da Academia Gerador durante um ano, uma assinatura como Sócio Gerador e um Cartão Jovem.

Dany Marques Ferreira venceu a categoria Arte Digital, com a obra “Plasticine”, e na Arte Urbana a galardoada foi Giulia Yoshimura Pestana, com o trabalho “Ruderal”. Pedro Lobo, com “Kinky Ceramics”, foi o vencedor na área da Cerâmica, tal como Mariana Guerreiro Ferreira (“Lessons in the Kitchen”) na categoria Cinema. O prémio para Dança foi atribuído a Katarina Lanier (“Call Me Three Times”) e na Escultura, a vencedora foi Mab.ko, com a obra “Totem”.

Na área da Fotografia, ganhou Guilherme Proença, com “Estudos sobre propriedade”, e na Gastronomia, o vencedor foi Simão Jarro, com o trabalho “Atum na chapa acompanhado de um puré de batata-doce, cebolinhas caramelizadas e finalizado com um jus de cebola”. Miguel Valente, com “se calhar alguém já falou disto”, Clara Leitão, com “Lobacobra”, e Catarina Lobo Vasconcelos Letria, com “Toca-e-foge”, foram os galardoados nas categorias Humor, Ilustração e Literatura respetivamente.
Carolina Duran, Leonardo Moura e Mafalda Fidalgo (“INTRA”) venceram a categoria Moda, assim como Jónatas TOTA Pereira e EU.CLIDES (“esquissofrénico”) na Música. Na área da Pintura, o prémio foi atribuído a Inês Nêves, com o trabalho “Ferida que dói e Ferida que não se sente”, e no Teatro a vencedora foi a Naiana Soares Padial, com a obra “As vidas miúdas e outras insignificâncias”.

O evento encerra com um concerto do músico Filipe Sambado, a decorrer a partir das 21h00 no Fórum Municipal Romeu Correia.

Nos últimos três dias, mais de 100 jovens artistas tiveram as suas obras em exposição no Fórum Municipal Romeu Correia e no Centro Cultural e Juvenil de Santo Amaro, em Almada. A MNJC contou ainda com masterclasses, visitas guiadas temáticas, apresentações, performances e concertos.

A edição de 2022 da Mostra Nacional de Jovens Criadores foi organizada, pela primeira vez, pelo Gerador, plataforma portuguesa independente de jornalismo, cultura e educação, numa parceria com a Câmara Municipal de Almada.

A MNJC é o mais importante e alargado programa de estímulo à criação por jovens artistas em Portugal desde 1997. Arte Digital, Arte Urbana, Cerâmica, Cinema, Dança, Escultura, Fotografia, Gastronomia, Humor, Ilustração, Literatura, Moda, Música, Pintura e Teatro são as áreas artísticas abrangidas por esta iniciativa.

A artista plástica Joana Vasconcelos, os escritores Valter Hugo Mãe e Gonçalo M. Tavares, os estilistas António Tenente e Maria Gambina e o compositor Manuel Durão são alguns dos autores que venceram edições anteriores.

Em baixo encontra a lista dos vencedores por categoria, com o nome e uma breve descrição das obras.

Saiba mais pormenores sobre o evento em: https://gerador.eu/mostra-nacional-de-jovens-criadores/

Lista dos vencedores da MNJC:

Arte Digital:
Dany Marques Ferreira
Obra: “Plasticine”
“Plasticine” apresenta-se num possível cenário de um museu de história natural, em que os seres (que se cruzam na interface natural/artificial) são fotografados por novas espécies não identificadas que se apresentam centenas de anos depois, testemunhando a influência extrema que o ser humano deixou no planeta após a sua extinção. A exploração, modificação genética e desprezo pelas necessidades da Mãe Natureza resultaram na extinção em massa de espécies e, consequentemente, a seleção das mais resistentes que têm agora uma aparência artificial e irreconhecível.

Arte Urbana:
Giulia Yoshimura Pestana
Obra: “Ruderal”
A obra é composta por uma pedra encontrada em entulhos, com uma das suas faces pintada com tinta acrílica. “Ruderal” é o título da obra, e também o nome dado às comunidades ecológicas que se desenvolvem em ambientes perturbados pela ação humana, retrata o suspiro de beleza e o símbolo de resistência da natureza perante o descanso humano. A pesquisa da artista através da arte urbana é redirecionar os olhares das pessoas para a vegetação sucumbida pela cidade, assim como as plantas ruderais, trazer cor e vida para os muros cinzas.

Cerâmica:
Pedro Lobo
Obra: “Kinky Ceramics”
O design tem um papel fulcral na mudança de mentalidades, devendo ser um agente disruptivo na nossa sociedade conservadora. Assim surge a coleção “kinky ceramics”, que consiste em peças de tipologia tradicional, às quais são feitas modificações com artefactos de BDSM, usando o lado estético das mesmas, numa tentativa de desconstruir a barreira da aversão da sociedade, perante a cultura do fetiche.
Aproveitando a plasticidade das peças cerâmicas, são aplicados objetos Kinky, que apresentam assim diversas deformações, como se fossem partes do corpo.

Cinema
Mariana Guerreiro Ferreira
Obra: “Lessons in the Kitchen”
“Lessons in the kitchen” é um projeto documental, falado em italiano, que retrata as dificuldades de viver no estrangeiro. Enquanto vivia em Bruxelas, decidi gravar várias conversas dos meus companheiros de casa de modo a registar a minha experiência com outras línguas. Apesar de ser um idioma bastante idêntico ao nosso, havia muitos momentos em que sentia que estavam a falar uma língua totalmente diferente da nossa. Esta curta-metragem é o resultado de uma dessas gravações, onde a componente visual representa a minha própria interpretação ao ouvir esse áudio pela primeira vez.

Dança
Katarina Lanier
Obra: “Call Me Three Times”
“Call Me Three Times” é uma peça que navega por entre fragmentos de estados oníricos e realidades de desejo. É uma exploração das fantasias possíveis e dos seus limites. Uma vez localizada e formulada uma fantasia, quais são as consequências de tornar esses sonhos palpáveis? Através de segmentos articulados com projeção de vídeo em direto, vídeo pré-gravado e ação ao vivo, a autora convida o público a explorar as múltiplas facetas das suas próprias interrogações e vulnerabilidades e a sua falsificação.
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do PACAP 5 – Programa Avançado de Criação em Artes Performativas.

Escultura
Mab.ko
Obra: “Totem”
“Totem” é um conjunto de cinco esculturas feitas de papel, areia e acrílico. Cada escultura tem as suas próprias cores e padrões, conferindo-lhes um carácter único e distinto. As silhuetas geométricas fazem lembrar tanto estruturas arquitetónicas como figuras sagradas. De facto, ao desenvolver o vocabulário de sua própria mitologia, a artista constitui uma linguagem através de uma coleção de símbolos, ícones, santuários…Tal como os fetiches, estas esculturas de tamanho humano foram concebidas como objetos de proteção, emblemas sagrados, que convidam à contemplação.

Fotografia
Guilherme Proença
Obra: “Estudos sobre propriedade”
“Estudos sobre propriedade” é um trabalho que surge de uma reflexão sobre o que é a posse. Quando falamos de posses, as questões que primeiro suscitam interesse são as de posses intelectuais, memórias e de identidade. Mas não serão também os objetos, fronteiras, gradeamentos algo que está intrinsecamente ligado a estas memórias? Num mundo onde cada vez existe mais conflito no que toca a posses, sejam estas pessoais, estatais, universais, encontramos aqui um compasso de pausa. Esta noção de pausa parece sempre provir de um elemento comum, a natureza, que olha com serenidade o progresso e regresso humano.

Gastronomia
Simão Jarro
Obra: “Atum na chapa acompanhado de um puré de batata-doce, cebolinhas caramelizadas e finalizado com um jus de cebola”
Recorrendo a influências japonesas, procura utilizar produtos nacionais, mantendo a simplicidade da receita de forma a apostar na qualidade dos ingredientes. Prato pescetariano, o sabor agridoce do jus de cebola faz o fio condutor entre a doçura do puré e o atum, enquanto as cebolinhas assadas vêm reforçar a identidade do molho no prato. A pele de salmão traz mais vida e cor ao atum, mas também um elemento salgado e crocante ao prato. Atum na chapa acompanhado com puré de batata-doce e cebolinhas assadas, finalizado com jus de cebola.

Humor
Miguel Valente
Obra: “se calhar alguém já falou disto”
“se calhar alguém já falou disto” é um projeto vídeo, dividido por temas, com raízes no meu receio de alguém já ter tido as ideias que eu tenho ou já ter dito o que eu vou dizer. Assim, decidi falar sobre as coisas que quero falar, mas enquanto faço algum tipo de atividade; porque se calhar alguém já falou de tais assuntos, mas não enquanto realizava essas atividades. No fundo, isto não é mais do que uma resposta ao trauma causado pelos programas de deteção de plágio da faculdade.

Ilustração
Clara Leitão
Obra: “Lobacobra”
“Lobacobra” ilustra um ser inventado: parte cobra, parte loba ou cão. Este ser, grande o suficiente para engolir uma pessoa (e de dentição aterradora), é também uma fonte na qual três humanos se banham alegremente.
Esta “Lobacobra” pode, por um lado, ser vista como um monstro, mas também como um animal que nutre a vida ao fornecer água. E quanto à pessoa dentro da sua barriga, terá sido engolida ou será que está para nascer?
Nas minhas ilustrações procuro esta ambiguidade que é também frequente nas fábulas, onde o inédito, o cómico e o aterrador andam de mãos dadas com o poético e o maravilhoso.

Literatura
Catarina Lobo Vasconcelos Letria
Obra: “Toca-e-foge”
“Toca-e-foge” é um conjunto de deambulações sobre sítios, sentimentos e os limites da memória.

Moda
Carolina Duran, Leonardo Moura e Mafalda Fidalgo
Obra: “INTRA”
“INTRA” representa uma reflexão sobre o impasse, a dúvida e o bloqueio que sentimos num momento de pós-licenciatura. Um manifesto de oposição ao sistema individualista e capitalista da moda, assente em valores de partilha e comunidade, dividido em 5 momentos: formatação/ confronto/ desintegração/ libertação. A principal referência artística da coleção, a dança japonesa Butoh, baseia-se na ideia da anulação do próprio ego, unificando memórias negativas num ato de libertação coletivo. Esta tentativa de retorno assemelha-se à nossa condição atual, uma necessidade de regressar ao início, ao centro, ao interior (INTRA).

Música
Jónatas TOTA Pereira e EU.CLIDES
Obra: “esquissofrénico”
O que é a canção de protesto no contexto português do século XXI? Que relevância tem essa atitude num contexto global de pluralismo quase absoluto e de digitalização a um ritmo frenético? “esquissofrénico” é uma possibilidade de resposta a estas perguntas. Canções despretensiosas, gravações de campo, lírica estilhaçada e inquiridora e uma vasta exploração de atmosferas, de texturas, de ressonâncias. Num processo audio-ecológico, aproveitamos as potencialidades composicionais que a reciclagem desse material aparentemente efémero nos oferece. Posto de forma simples, abraçamos o fragmento como produto acabado.

Pintura
Inês Nêves
Obra: “Ferida que dói e Ferida que não se sente”
Ecoa já sem teleponto na consciência coletiva que o amor é cego, é morte, ou que a lágrima é o seu sorriso; que é ferida que dói e não se sente. O instinto de sobrevivência e rejeição à dor parece adormecer quando a causa é o amor. Dopamina e oxitocina anestesiam a pele, mas a mente não sara. Através do encontro afetivo e efetivo entre corpo e matéria, “Ferida que dói e Ferida que não se sente” reflete sobre a natureza viciante do amor e figura a capacidade do ser humano de deixar marca. Numa dança em que o corpo chega, marca, e se vai, restam apenas os rastros das suas carícias, inscritos no espaço e na memória.

Teatro
Naiana Soares Padial
Obra: “As vidas miúdas e outras insignificâncias”
Uma misteriosa forasteira chega a um sítio em ruínas. Nelas descobre um circo abandonado onde encontra uma inusitada companheira: uma barata. A partir da complexa relação entre as duas, percorremos variadas emoções, através da poesia das coisas insignificantes, da parvoíce e de conflitos sobre relações de poder. Esta peça visual, que conecta o circo e a música através da linguagem do palhaço e do teatro físico, convida o público a participar ativamente da história que constrói.

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