Braga

Líder da JS promete ser reivindicativo e exigente com PS e Governo

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O deputado socialista Miguel Costa Matos vai ser reeleito secretário-geral da JS no congresso desta organização, em Braga, no sábado e domingo, e promete uma ação reivindicativa e exigente em relação ao PS e Governo.

“Queremos que os jovens vejam na Juventude Socialista (JS) uma espécie de sindicato de toda a juventude portuguesa”, declara à agência Lusa Miguel Costa Matos, que se recandidata sem oposição a um mandato de mais dois anos na liderança desta “jota”

O XXIII Congresso Nacional da JS começa no sábado com uma mensagem vídeo do presidente do PS, Carlos César, e com uma intervenção do secretário-geral adjunto do PS, João Torres, que foi também o último que fez dois mandatos na liderança dos jovens socialistas (2012/2014 e 2014/2016).

Encerra no domingo com um discurso do secretário-geral e primeiro-ministro, António Costa, após os 350 delegados eleitos – além de 150 delegados inerentes – votarem a única moção global de estratégia em debate, denominada “Tempo de agir”, e cerca de 150 moções setoriais de resolução política.

“A melhor forma de apoio que a JS pode dar ao PS é justamente ser exigente e reivindicativa”, defende Miguel Costa Matos, deputado eleito pelo círculo de Lisboa, economista e antigo assessor do primeiro-ministro, António Costa.

Em relação aos seus primeiros dois anos de mandato no cargo de secretário-geral da JS, Miguel Costa Matos considera que os jovens socialistas têm conseguido tirar do papel algumas das suas causas “desde há muitos anos”, designadamente em questões como a “prostituição, a canábis ou a propina zero” no Ensino Superior.

Num recado dirigido a alguns setores do seu partido e do Governo, o líder da JS afirma que “não vai deixar de batalhar enquanto não conseguir concretizar a regionalização”.

“No último congresso do PS conseguimos colocar na moção global e no programa eleitoral do partido o referendo em 2024. Consideramos que tem de ser uma prioridade. Não vamos também desistir da legalização da canábis, algo essencial em termos de saúde pública, e vamos lutar para que a nossa geração perceba que tem nos socialistas os melhores aliados para fazer face às desigualdades e à precariedade”, sustenta.

Nesta questão, a preocupação do secretário-geral da JS é o discurso inerente a forças políticas à direita do PS, sobretudo a Iniciativa Liberal.

“Não queremos que os jovens culpem o Estado ou os impostos pelas dificuldades inerentes à realização de projetos de vida. Do ponto de vista da emancipação jovem, a primeira prioridade que temos é a dos salários”, assinala.

Na perspetiva do líder da JS, “a melhoria dos salários dos jovens é o melhor garante de que eles encontram um futuro no país e não sentem pressão no sentido de emigrarem em busca de outras oportunidades”

“Naturalmente, encaramos como positivo ter existido um acordo de rendimentos [em sede de concertação social] para aumentar em 20% os salários [até 2026], mas agora importa que esse acordo seja cumprido. A JS estará na linha da frente para exigir que patrões, sindicatos e Governo cumpram as medidas do acordo de rendimentos, que tem um grande enfoque nos jovens”, avisa.

Confrontado com os casos em que militantes da JS iniciam a suas carreiras profissionais em cargos de nomeação governamental, com salários bem acima da média nacional, Miguel Costa Matos responde: “A JS não é um centro de emprego”.

“Isso é importante dizer para dentro e para fora. Quem estiver com essa expectativa para a vida política como um todo, mas sobretudo em relação à JS, então encontra-se redondamente enganado. Não encontrará aqui sucesso no seu percurso político”, diz.

O secretário-geral da JS declara ter “orgulho nos camaradas que são chamados a desempenhar funções de confiança política, no Governo ou nas autarquias”.

“Mas, se compararmos os militantes da JS que estão nessas funções com os independentes, os da JS são muito menos. Se comparamos o número de militantes da JS com o número de jovens socialistas no Governo, então conclui-se que essa generalização é mesmo muito errada. Aliás, é uma generalização que é injusta para quem desempenha com muito mérito essas funções e que também pinta uma visão errada sobre o que é fazer política”.

Fazer política, contrapõe Miguel Costa Matos, “é ter ideias, é lutar por causas em que se acredita”.

“E é isso que fazemos na JS – e temos conseguido ganhos de causa. Somos uma juventude de esquerda, que faz e que consegue transformar para o concreto a mudança na vida dos jovens”, advoga.

Entre essas “mudanças concretas”, o secretário-geral da JS realça o complemento de deslocação destinado a estudantes do Ensino Superior colocados em estabelecimentos longe da sua área de residência, a legislação referente ao direito ao esquecimento e a duplicação do valor do complemento ao alojamento.

“Esse é o papel da JS na sociedade”, acrescenta.

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